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  • Karla J. Silva-Souza e Alexandre F. Souza

As Muitas Fisionomias das Restingas


Vegetação de restinga com fisionomia herbácea à frente e florestal ao fundo sobre dunas

em Parnamirim, Rio Grande do Norte. Foto dos autores (ACS).

Os números entre colchetes [ ] ao longo do texto são citações bibliográficas. Se alguma te interessar, procure na lista de Referências no final desta postagem!

Se você quiser citar este texto, cite assim:

Souza, A.F. Silva, A.C., Silva, J.L.A. 2016. As muitas fisionomias das Restingas. Disponível em http://esferacientifica.wix.com/esferacientifica, acessado em / /

Ao longo de todas as praias do longo litoral brasileiro estende-se uma vegetação rasteira de plantas fortes capazes de conviver com os extremos do sol, do vento, das marés e das areias pobres em nutrientes. Esta vegetação é chamada de Restinga e se torna mais alta formando arbustais sobre as dunas, e mais alta ainda nos terrenos ainda arenosos porém planos do litoral, formando florestas densas de árvores finas.

Cientificamente, esta variação do tamanho e formato da vegetação é chamada de fisionomia. Apesar de se saber há muito tempo que a fisionomia das Restingas é tão variada, ela é assim mesmo pouco estudada. Em um artigo recente [1], cientistas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte investigaram a própria fisionomia da Restinga e também os efeitos das características do solo e da forma do terreno sobre a variação fisionômica.

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Restinga com fisionomia herbácea à frente e florestal

ao fundo sobre dunas em Parnamirim, Rio Grande do

Norte. Foto dos autores (AFS).

Menos Mosaicos, Mais Contínuos

Uma descoberta importante do trabalho foi que, apesar de normalmente pensarmos na Restinga como um mosaico de áreas herbáceas (dominadas por ervas) junto às praias, arbustivas e florestais, estas três categorias fisionômicas não são nitidamente separadas, mas forma um contínuo. Assim, existem inúmeros graus entre uma Restinga herbácea rasteira e uma Restinga florestal, e não degraus nítidos entre estas fisionomias. De fato, não podemos nem dizer que estas categorias são sempre claras e discretas, muitas vezes constituindo resumos úteis em nossas mentes. Cactos foram independentes e podiam ser encontrados em todas as fisionomias.

Influência dos Nutrientes do Solo

Utilizando uma técnica estatística denominada Regressão Múltipla Passo a Passo, os pesquisadores descobriram que as áreas com restinga florestal ou arbustiva alta tinham solos mais ácidos e maior concentração de cálcio e nitrogênio. Estas relações mostram que a vegetação das Restingas é provavelmente limitada pela falta de nutrientes no solo arenoso e, naqueles locais em que eles estão presentes, uma fisionomia arbustal alta ou arbórea consegue se desenvolver.

Os Cactos e os Arbustos Curvados

Por fim, outro ponto interessante foi que o número de cactos esteve ligado com o número de plantas inclinadas, ocorrendo ao contrário das plantas jovens do interior sombreado da vegetação. Este resultado é interessante porque registra um ambiente bastante especial das Restingas: o lado das primeiras dunas voltadas para o mar. Este ambiente, particularmente no Nordeste brasileiro, varrido pelos fortes ventos Alísios no meio do ano, é muito hostil ao crescimento de plantas mais altas, e somente plantas resistentes como cactos ou arbustos baixos e capazes de sobreviver curvados estabelecem-se com sucesso.

Restinga arbustiva baixa, rica em cactos e pobre em plantas jovens de árvores e da maio-

ria dos arbustos em Parnamirim, Rio Grande do Norte, em 2014. Foto dos autores (JLAS).

Referências

[1] Silva, A.C., Silva, J.L.A. and Souza , A.F. 2016. Determinants of variation in heath vegetation structure on coastal dune fields in northeastern South America. Brazilian Journal of Botany 39: 605–612. doi:10.1007/s40415-016-0273-z

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