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  • Karla J. Silva-Souza e Alexandre F. Souza

Pesquisa em escala de paisagem modifica visão sobre competição entre espécies


As araucárias são dominantes na Mata Atlântica do Brasil subtropical. As que aparecem na foto acima colonizaram o campo a partir de sementes dispersas por animais

Os números entre colchetes [ ] ao longo do texto são citações bibliográficas. Se alguma te interessar, procure na lista de Referências no final desta postagem!

Se você quiser citar este texto, cite assim:

Souza, A.F. 2017. Pesquisa em escala de paisagem modifica visão sobre competição entre espécies. Disponível em http://esferacientifica.wix.com/esferacientifica, acessado em / /

Em um trabalho publicado na revista científica canadense Botany [1], uma iniciativa diferente foi adotada para estudar a ecologia das araucárias no Brasil subtropical. Estas árvores são muito grandes, vivem durante séculos, e crescem em uma grande variedade de ambientes como campos, florestas, vales e montanhas. Por isso é muito difícil descobrir como a espécie cresce, interage com as outras espécie e ocupa tantos habitats.

Para contornar o problema, o estudo, que foi financiado pelo CNPq e desenvolvido na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal, usou uma ferramenta inovadora: estudou as araucárias através de imagens digitais. Fotografias aéreas tiradas a partir de aviões na década de 1980 foram usadas para mapear milhares de árvores da espécie espalhadas em uma paisagem de contato entre campos e florestas. Depois, o pesquisador utilizou uma imagem do satélite americano World View produzida em 2008 para descobrir quais das árvores marcadas inicialmente haviam sobrevivido e também para calcular seu crescimento. Desse modo, dados inéditos sobre a demografia da espécie foram produzidos para uma paisagem de 55 Km2 em um intervalo de tempo de 24 anos, extensões de espaço e de tempo muito maiores do que aquelas estudadas normalmente.

Os resultados ajudaram a esclarecer a relação que as araucárias tem com as amplas paisagens do Brasil subtropical. Se por um lado a espécie se comporta como uma pioneira de vida longa, dependente de grandes entradas de luz em locais abertos para sobreviver quando jovem [2], sua relação adulta com outras árvores ainda é pouco conhecida.

As araucárias adultas encontradas nos campos tiveram suas copas quebradas com mais frequência do que na floresta, além de sobrevivência dependente da densidade: a vizinhança de outras araucárias reduziu a sobrevivência de cada uma delas. A razão para isto ainda não é conhecida, mas pode ser a competição por nutrientes do solo, ou a atração de raios durante tempestades.

Nas florestas as araucárias tiveram sobrevivência mais alta do que no campo, e esta sobrevivência foi maior longe da borda florestal e maior em manchas de floresta grandes. A vizinhança de outras araucárias nas florestas também aumentou a chance de quebras na copa.

O estudo concluiu que a ecologia das araucárias é mais complexa e interessante do que se pensava. Se na fase jovem esta emblemática espécie é prejudicada pela competição com as outras espécies de árvores, que impedem seu crescimento com sombra, na fase adulta parece se beneficiar da vizinhança de outras espécies, que a protegem das dificuldades do crescimento isolado no campo. Ali, a exposição a ventos fortes, raios, e a competição com outras araucárias parece prejudicar o crescimento e a sobrevivência da espécie. Efeitos dependentes da densidade, bastante conhecidos em plantas jovens e sementes, revelou-se importante também para árvores adultas.

Referências


1 - Souza, A.F. 2017. Conifer demography in forest-grassland mosaics: a landscape-scale study over a 24-year period. Botany: disponível online. doi:10.1139/cjb-2016-0315.

2 - Veja mais detalhes na matéria "As araucárias são pioneiras?", disponível em http://esferacientifica.wixsite.com/esferacientifica/single-post/2015/06/16/As-Arauc%C3%A1rias-S%C3%A3o-Pioneiras


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