Buscar
  • Alexandre F. Souza e José Luiz A. Silva

Pesquisa Descobre Organização Geral da Restinga


Uma pesquisa publicada na revista científica internacional Journal of Plant Ecology e desenvolvida por cientistas brasileiros descobriu a organização geral de um tipo de vegetação brasileira muito especial: a Restinga. As restingas são a vegetação de porte reduzido que recobre as dunas, praias e planícies arenosas que acompanham os mais de 8.000 Km do litoral brasileiro.

Esta vegetação é conhecida por viver sob condições muito estressantes, pois além dos ventos fortes e dos efeitos dos borrifos marinhos, ela cresce sobre solos muito arenosos, incapazes de reter os nutrientes e muito propensos à seca, pois os grãos de areia são grandes e não retém a água das chuvas.

Apesar de tudo isso, uma impressionante sucessão de tipos de vegetação se sucede nas restingas: campos abertos, arbustais a perder de vista, florestas baixas e, muitas vezes, uma rápida sucessão destes três categorias a curtas distâncias. O trabalho foi feito em Parnamirim, litoral do Rio Grande do Norte, região em que a Restinga cresce sobre as mais altas dunas do Brasil, está sujeita a ventos alísios muito fortes e sofre seca durante vários meses por ano.

Os cientistas descobriram que:

1 - As espécies da restinga ocorrem misturadas de maneira aleatória, e não é verdade que em cada trecho existe um grupo de espécies particular.

2 - As espécies não seguem padrões reconhecíveis de disposição no espaço, e podem ser encontradas em todos os micro-ambientes que formam a Restinga: atrás das dunas ou sobre os tabuleiros costeiros, por exemplo.

3 - Quando vemos a fisionomia da Restinga variar de arbustal para floresta, de floresta para floresta baixa ou áreas mais abertas, estas mudanças são estruturais mas não são acompanhadas por mudanças nas espécies! Em outras palavras, não são espécies diferentes que produzem estas mudanças, são mudanças no tamanho e formato das mesmas espécies. A mudança é fisionômica e fenotípica, não composicional.

4 - Apesar de toda a imprevisibilidade que reina entre as espécies, sua forma e tamanho respondem sim a amplas variações nas condições físicas: ao longo de quilômetros, a espessura das folhas, a densidade da madeira, o comprimento do caule e até a concentração de proteínas nas folhas vão aumentando ou diminuindo de acordo com a quantidade de nutrientes no solo.

Os cientistas são ecólogos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Drs. José Luiz Alves Silva e Alexandre F. Souza, e a pesquisa foi financiada com dinheiro público através da CAPES, da UFRN e da FAPERN.

Leia o artigo na íntegra:

https://academic.oup.com/jpe/advance-article/doi/10.1093/jpe/rtz007/5306099?guestAccessKey=ded4d591-f459-43d0-add7-504b08f79f05

Referência

Silva, J.L.A., Souza, A.F. e Santiago, L.S. Traits uncover quasi-neutral community assembly in a coastal heath vegetation. Journal of Plant Ecology no prelo.

#restinga #vegetação #brasil #comunidades #ecologia #ecologiadecomunidades #estrutura #filtroambiental #biodiversidade #natureza #meioambiente #praia #litoral #costa

40 visualizações
This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now